México, Distrito Federal I Marzo-Abril 2008 I Año 3 I Número 13 Publicación Bimestral I

 








 

In extremis

 

Beth Brait Alvim (SP, Brasil, 1952). Poesia: Mitos e ritos, Scortecci Ed, SP, 1987; Mulheres de São José, prefácio de Celso de Alencar, Scortecci Ed, SP, 2ª ed, 1993; Mulheres de São José – outros poemas, SP, 1996. Revista “Fata Morgana” No. 2., Colômbia, 2006. III Prêmio Literário Asabeça, Scortecci Ed, SP, 2004; São Paulo em versos femininos,SP,  2004.Conto: Erótica, Ed. Brasiliense, SP, 1993. Organizou: Tempos Perplexos, Diadema, prefácio de Cláudio Willer, 2002;  Tempos & territórios, Diadema, 2005. Ensaio: Ciranda dos tempos – espaços do desejo, prefácio de Teixeira Coelho, Escrituras Ed., SP, 2005. Prêmio Governo do Estado de São Paulo: Visões do Medo, Escrituras Ed, 2006 poemas. É assessora de literatura da Prefeitura de Santo André e coordena a Escola Livre de Literatura.  

 

 

 

rasgo caixas carcomidas pelo veneno de Cronenberg

gavetas vazias por deformações e restos de arcadas postiças

                          e não te vejo

perscruto nos rodapés empoeirados o cheiro das tuas unhas quebradiças e

mal polidas iluminadas com o mais barato esmalte

                          e não te sinto

lambuzo as dobradiças dos armários abandonados e elas chiam duras

duras e nada abrem e se se abrem

                          é para o nada

arranho o eco incessante da tua voz adentrando nas minhas axilas

e ouço meus demônios todos sussurrarem

                          que te reclame

torço os punhos debaixo do travesseiro

e sugo o vento que te fazia tossir e esmurrar

                          o fim de tudo

inundo  meu ser vazio do ar que te animava 

e me desespero a cada black out noticiado

                           sem nenhuma saída

alço varais que esvoaçam desnudos

e zumbem loucos nas noites natalinas

                           ou noutras quaisquer 

enquanto a tigresa assassinada é sinal de que o céu vai despencar

de um lírico e feroz anti-happy-end holywoodiano

                           e de que ninguém mais está no cio 

eu burilo minhas entranhas com todos os méis

urro meu útero seco babando o bafo quente dos dragões em pânico 

um olhar sereno

                          disseram

opaco

                           eu diria

um véu entre o meu ser vivo

e a finitude

 

o sufoco de não me reter mais entre os 

extremos

                          dedo e alma

 

 

 

                                                                              

 

 

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